quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E eu?

Pô, eu também mereço palmas!!


Tenho que me lamentar!

Porque não consigo falar metade do que queria, vocês não me levam a sério, estou condenada a sofrer sozinha nessa vida sem condescendência para com uma pobre sexagenária! Se não, veja: Não consigo unanimidade para comprar meu apartamento, quanto mais entusiasmo, satisfação, aplauso e elogios ou parabéns.

A gente precisa de tudo isso para ser completamente feliz, como vocês tem sido. (parabéns pela foto do Mário no centro cirúrgico, troféu pelo esforço e sucesso; parabéns pela garra de fazer uma vida legal que você tem de sobra, pela pessoa super interessate, engraçada, inteligente e fofa que você é; parabéns pelo empenho e dedicação da Renata com os objetivos que se põe, como construir uma super mansão, ajardinar um resort inteiro, carregar um barrigão sob 30 graus diários; parabéns à Luli por tentar sempre ser amada sem saber que já o é muito, e seguir carregando nas costas um mundo de interesses globalizados que não trazem exatamente felicidade; parabéns à Lolo por suas tentativas e erros e por todo o encanto que traz à vida da gente.

PARABÉNS PRA MIM, não tem??? Oh céus mesmo, oh vida, sim! Ninguém me ama, ninguém diz amém pro que eu falo, ninguém me obedece e, além do mais, tudo o que vai, volta!!!!

Enquanto o neto não vem: uma filha vai; uma filha volta; os velhinhos despejados e o ex de volta no pedaço.

"Tudo o que vai, volta!"


Ontem foi bom. O Luiz ficou atrás da Renata, e à tarde chegaram lá em casa; ele quis ir junto ao supermercado, compramos coisas para o jantar. Lolô fez um risoto de frutos do mar, sentimos muito a falta de Marina e Mário, queríamos que estivessem junto. Chovia e estava quente, uma noite legal.
A Luciana veio e ficou só um pouquinho; estava cansada, chegando de Porto Alegre; agora ela está regulando muito a presença lá em casa, quase não vai, fica só um pouco, geralmente irritada com as conversas. Sábado agora já volta aos Estados Unidos e diz que a chefe lá a elogiou muito e marcou um jantar com ela. Acho que vai me dizer que eles a estão chamando de novo para morar lá. Que que eu posso dizer? Ela que sabe o que quer fazer da vida.

Agora já estou na ante sala da obsolescência programada, isto é, às portas de virar uma avó. Estou em compasso de espera; será uma nova fase de vida, quer eu queira ou não. Preciso me policiar para não virar uma super vó", mas sei que vou ficar muito envolvida. Estou também na reta final de mãe desfilhada, porque não vejo a hora de Marina voltar, ainda que eu saiba o quanto isso deve ser triste pra ela e Mário. Mas será bom também virem fazer um pézinho de meia.

Por falar nisso, a situaçào dos Fanti está preta, estão com ordem de despejo! Fico pensando em como será que eu poderia ajudar, mas tenho até medo! Ah, não fizemos as lembrancinhas porque Renata não levou as trufas, mas acho que hoje vamos fazer.

Ó céus, ó vida...

Os corretores malas e o menino que vai mudar o mundo...

Mas ele terá nariz fino...

Os corretores me encheram o saco. Vou ficar quieta na minha. Eles sabem que estou com dinheiro, que quero comprar e eles precisam vender. Mas ficam alucinando, me mostrando coisas ou muito acima do que eu digo, ou completamente nada a ver, ou gente que sobe o preço quando faço proposta. Encheu. Agora só vou ver o que estiver "pedindo para ser comprado."

Hoje a Rê tem médico, vai com o Vini. Vou esperar que ela me ligue, porque não quero parecer muito ansiosa. Mas está tudo bem. Em dias a vida vai mudar. Já pensou, Má, que é uma mudança muito grande pra todo mundo?

Pro que vai nascer, porque é começar por uma estrada a qual percorrerá por no mínimo 100 anos! Pra quem dá à luz, porque é o início de um descolamento do self para todo o sempre! Da mãe da mãe, da mãe do pai, porque vêem que realmente a que se é vai continuar a existir por muito tempo, ainda que em outros corações...

Pras tias e tios, porque eles passam a se perceber como parte de um legado para o qual não fizeram nada mas que indubitávelmente acontece. E para a humanidade como um todo, porque mais uma chance ela terá de se redimir ou afundar de vez!

Valha-me Deus! E Nicholas será apenas um menino, de nariz fino, cabelos lisos, em tudo e por tudo igual a todos os outros, comum e especial, apenas um menino, um deus pequenino que vai crescer...

Nicky, semente de paz e amor!

Nicky, a caminho...

Nada de Nicky!

Mas ele virá com o claro do dia ou na penumbra silenciosa dessas noites de verão... Ele virá como um gesto divino materializado, que um Zeus ou um Deus concebeu para o bem da humanidade... E trará com ele todas as virtudes, todos os poderes, todas as promessas que haveremos de ver cumpridas, que veremos ser profundamente harmonizadas com os anseios e urgências do planeta Terra, dos seres que aqui esperam por um novo avatar.

Ele virá logo, apenas um menino que não terá, como tantos, nome de santos, nomes quaisquer. Será Nicolas somente, Nicolas semente de paz e amor!!!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Maldita diarista!


Que saco, viu?!
De novo a Patricia não foi. Chega a hora de eu ir almoçar, me ligam avisando que ela teve que isso e aquilo. Se eu descontasse as faltas, elas não receberia a metade no fim do mês!
Então, não vou em casa almoçar, ficarei por aqui.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Estou infeliz!



Eu estou tão infeliz!

Tudo o que eu sempre quiz

Foi ver o mundo, viajar!

Mas com a crise, que azar!

Não sei se dará certo,
Ir a um lugar nada perto,

Já agora, no Ano Novo,

Bem quando todo o povo

Cisma de ir também.

Se houver grana, amém!
Se não, ai meu Deus!
Passarei os dias meus

Sózinha aqui no sofá?

E todo mundo lá?
AI! AI! AI!

Os rituais e eu...


Hoje é Thanksgiving Day. Sabe porque eu prezo o dia de Ação de Graças? Porque eu sempre vi nos filmes americanos as pessoas todas correndo para viajar nesse dia, que geralmente é cinzento, frio e chuvoso, como aqui. Mas todos parecem tão felizes e ansiosos para estarem com suas famílias meio nerds, barulhentas, comilonas; mas tudo bem, é a urgência do encontro, uma expectativa pela festa, uma premência de parar o tempo, na escola, no trabalho, para, enfim, sentar ao lado daquelas determinadas pessoas, todas elas especiais umas para as outras, comer, beber, cantar, e agradecer a Deus a boa colheita do ano, qualquer coisa que tenha sido ela.

São todos componentes muito fortes, que fazem uma moldura da vida que se tem aqui no nosso ocidente tão cheio de enganos.Uma coisa parecida é o afã dos judeus para comemorar o Sabath, nas 6ªs feiras ao por do sol: hora de jejuar, se unirem à volta do patriarca para as orações, as mulheres de véus à cabeça como suas patrícias muçulmanas.


No Islã que não nada em ódio nem está sangrando, os homens tocam suas flautas de bambú e dançam o Samá, girando sobre o próprio corpo até se doparem de zonzeira, e choram a saudade de um Alá muito estranho e distante. Ainda acho que o caminhar dos homens sobre a terra é uma "procissão de sombras sob um céu negro", como disse o poeta. Mas isso não invalida o ritual. Ainda mais o imprescindível ritual da fraternidade e do agradecimento. "Gloria a Deus nas alturas e paz na Terra" a todos nós.

Eu gosto de rituais e sinto falta deles. Eles validam nosso trabalho e nossa crença, nos elevam à condição de protagonistas do próprio caminhar e trazem paz à consciência. Quase como agradar a Deus e, por isso, merecer o paraíso. Meus rituais são tímidos e disfarçados porque ninguém partilha e isso tem que ser comungado. Quando mamãe agonizava, o padre não chegava, eu mesma fui a autora de sua "benção" do adeus; rezei, "encomendei" sua alma a Deus, perdoei-lhe os pecados, pedi que fosse em paz, sua missão estava cumprida. Ministrei-lhe o sacramento do perdão, da passagem, do acolhimento em outra vida, sei lá. Foi meu grande ritual.

Estou muito triste. Sinto falta da vida que tinhamos, das pessoas que eu não queria perder também, como o Haroldo, a Adriana. Gosto da casinha demais, mas ela ficou triste.

Hoje é Thanksgiving, eu ia fazer um jantar aqui mas ninguem poderá vir; vou adiar para amanhã. Pensarei muito em vocês. Eu amo o Mário. Ainda bem que ele é nosso.Ma, faça qualquer coisa no Natal e Ano Novo, só para vocês. Rituais sào fundamentais, como o amor. Só a saudade é desnecessária, mas existe, persiste e insiste.

Ó céus, ó vida...